
Agel na Imprensa Portuguesa

AGEL Chegou dos EUA e já tem 2300 adeptos. Jovens que querem ganhar dinheiro são os mais aliciáveis.
Joana Vicente tem 23 anos e a ambição de ser rica. Foi isso que, depois de uma apresentação em casa de um amigo, a levou a embarcar no negócio que promete criar milionários a partir de vitaminas em gel.
A apresentação decorreu há cerca de duas semanas numa segunda-feira, ao final do dia, no auditório da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, e repetiu, no dia seguinte, na Casa do Comércio, em Lisboa. Jovens adultos, homens e mulheres, foram respondendo ao repto de Glen Jensen, demonstrando que tinham incorporado o espírito do negócio. Uns já estavam na rede e ganhavam bastante dinheiro, outros estavam desejosos por mudar de vida.
Joana Vicente entrou, há um mês e meio(...). Ao fim de quinze dias, já tinha amortizado o investimento, não através da venda das vitaminas, mas única e exclusivamente das comissões sobre a angariação de quatro pessoas para a rede. Ao entrar, fica com o dever de comprar um pacote de 120 euros todos os meses. E continua a ganhar comissões sobre as pessoas que entram abaixo das quatro pessoas que recrutou. “Uma parte dos produtos consumo e a outra ofereço. Não conheço ninguém que venda o produto. O dinheiro que se ganha a pôr pessoas é tanto que não é necessário vender”, explica Joana Vicente.
No mês de Outubro (...), Joana Vicente recebeu 1100 euros, um acréscimo justificado com o facto de ter investido mais dinheiro. Ou seja, quanto mais se paga para entrar, maior é a percentagem que se recebe pelas pessoas abaixo. Joana Vicente confessa que o maior aliciante da Agel é a possibilidade de ganhar muito dinheiro e nem a hipótese dos rendimentos diminuírem quando deixarem de entrar pessoas para a rede a demove. “Se calhar, nessa altura já vai ser preciso vender os produtos”, prevê, revelando que neste momento a rede já conta com 2300 pessoas em Portugal.
Glen Jensen conhece bem o género de pessoas que entram facilmente nestes negócios. Para ilustrar até onde se pode chegar, Glen Jensen acena com uma lista de valores de comissões, que garante estarem a ser pagos um pouco por todos os cerca de 40 países onde já marcam presença. Há números para todas as ambições e alguns atingem os milhares de euros. O presidente da companhia revela que em Portugal já existem três “directores-seniores que ganham, em média, 16 mil dólares por mês (cerca de €11 mil)”. Jensen não é um novato. Diz que trabalhou na indústria farmacêutica e em empresas de marketing em rede, o que preparou o terreno para a Agel.
Pedro Celeste, especialista em marketing estratégico, explica que “o trabalho desenvolvido na criação de novos níveis funciona em progressão aritmética, enquanto os benefícios funcionam em progressão geométrica, isto é, trata-se de um convite para trabalhar sentado e esperar pelos lucros”.(...) Sustenta que neste modelo de negócio, o produto precisa de ter alguma credibilidade e inovação. “Foi o que aconteceu com a Herbalife, que chegou ao mercado numa altura em que se começava a falar em obesidade e dietas”, refere. O ciclo de vida, por isso, pode ser curto ou longo. “É curto se as pessoas não acreditarem que vão ser capazes de convencer outras a comprar e é longo se o mercado acreditar que vai ganhar benefícios no médio prazo”, alega.
Joana Vicente acredita e espera estar a ganhar 20 mil euros em Agosto do próximo ano. Glen Jensen também detecta esse potencial no grupo de pessoas que tem à sua frente, apesar de ter acabado de chegar. “Qualquer um de vocês tem capacidade para se tornar um chefe de equipa. Prometo que isso irá acontecer tendo em conta a qualidade das pessoas que estão nesta sala”, dispara, ao melhor estilo de um entendido em motivação. “A Agel devolve a esperança e os sonhos”, conclui.
Textos: Ana Sofia Santos e Catarina Nunes | Ilustração: Paulo Buchinho
Noticia divulgada no Expresso no dia 3 de Outubro de 2007 (edição:1827).
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